Tem sido difícil achar a motivacao pra escrever de novo. mas acho que quero registrar algumas conversas interessantes dos últimos dias sobre os mesmos assuntos: mensalao, política, prefeitos dessa linda cidade onde vivo, eleicoes, e coisas vinculadas a política. Primeiro uma conversa com amiga A que pensa que os próximos tempos serao sombrios, devido à uma certa conspiracao mundial dos esquerdistas para se alicercar no poder, tendo como base a China. Verossímil, apesar desta minha descricao tosca. Com amiga B, ouvi que ela votará no PSDB, porque foi o único governo que fez coisas bonitas na cidade. Após dois mandatos de nosso lindo prefeito de um outro partido que nao PSDB ou PT, a cidade parece uma lata de lixo, e pelo menos o PSDB fez obras grandes e embelezou de certo modo a cidade. Com amigo C ouvi relatos desesperancosos sobre o mensalao, e uma reafirmacao de total ceticismo na política brasileira, e uma elegia do voto nulo. Justo esse ano que eu estou convencida a votar( quero dizer, em alguém, e nao nulo ou branco). Pra completar, os relatos sobre um conhecido e carismático pastor de uma grande denominacao que se tornou candidato a vice-prefeito numa chapa do partido do mais notório e desavergonhado cacique local. Ah, esqeci de incluir o boato de que o pastor de uma grande denominacao evangélica também manifestou apoio ao candidato do PSTU.
Essas conversas todas me instigaram a pensar um pouco mais sobre política e esperanca. Penso que os cristaos mais inteligentes do que eu, como várias dessas pessoas com as quais conversei, e que estao envolvidas no jogo político, assumem ou uma postura de tirar vantagem da situacao, elegendo aquilo que pode lhes beneficiar( o que, na visao de muitos é o jogo partidário e o fundamento do sistema de representatividade, do que eu a princípio discordo, mas confesso que minha ignorancia nao me permite discorrer muito sobre isso, faco a mea-culpa e depois de fazer meu dever de casa volto a tocar no assunto) ou a assumir uma posicao cética e cínica a respeito de toda a situacao. Daí temos os dois extremos, cinismo de um lado, oportunismo do outro. E como crista acho complicado me conformar com um ou com outro.
Tuesday, August 14, 2012
Thursday, August 2, 2012
O problema da perfeicao
Esse é um artigo antigao, de uns 8 anos atrás, mas ainda gosto dele, apesar de que editaria algumas coisas agora. Resgate do finado ex-my-blog.
Temos uma sede de
perfeicao. Apesar de ainda haver em nós muito da perfeicao
original com que fomos criados rescendendo pelo ambiente, muita,
muita coisa se perdeu e nunca se recuperou. Vivemos procurando ser
perfeitos, legais, melhores do que os outros, cheios de preconceito e
de máscaras. Ou entao vivemos arrasados por nao sermos o
máximo, e procuramos referenciais para nós em outros,
pessoas que sejam tao legais, tao perfeitas que jamais errem,
decepcionem, calem ou falem a coisa certa, vistam-se de modo certo,
metam o dedo no nariz só no banheiro e jamais coloquem os
cotovelos em cima da mesa.
A sede de perfeicao
nao é o problema em si. Afinal, quem veio de Deus, nao se
satisfaz com menos do que a perfeicao, a própria pessoa dEle,
porque é nessa pessoa que somos completos, cheios, llenos,
full, absolutos. E fomos feitos para Ele, entao como poderíamos
querer menos? Impossível! Acontece que um dia houve o grande
racha, o rasgo mais delicado da história, a hora mais negra, a
dor mais intensa, onde a navalha se enfiou fundo na carne, cortando o
relacionamento com o homem e Deus: pecado. E daí a separacao
nos deixou órfaos da Fonte, da Origem, da Consumacao, da
Perfeicao, perdidos num universo sem Ele, desorientados, jogados numa
vicinal sem mapa, neném sem chupeta, Romeu sem Julieta, dor
sem cura, doenca sem vacina, mal sem remédio. Drástico
e dramático assim.
E desde entao estamos
nessa busca desenfreada por perfeicao, por algo puro, uma centelha na
escuridao que se tornou nossa existencia, espíritos mortos
vagando pelo mundo. E essa busca de tudo de bom nos cantores, reis,
filhos, filósofos, maes, pais, romances, animais, qualquer
cois que preencha essa frustracao, que traga de volta a emocao
perdida, a plenitude da qual temos saudades, a glória que
fomos feitos para experimentar. E buscamos e buscamos, por séculos
e milenios temos buscado. E aí vao líderes,
celebridades, vultos, ícones, ídolos, empreendimentos,
utopias, revolucoes, sempre buscando o Melhor a que aspiramos. No
nível pessoal projetamos nos outros o que queremos, e sofremos
continuamente a amarga decepcao de descobrir que as pessoas mais
maravilhosas do mundo sao tao iguais a nós, nos machucando e
decepcionando, errando e se frustrando, tendo depressao, anorexia e
gastrite.
Sim, mas e aí?
E aí que isso tudo pode ser resolvido pela reconciliacao
promovida pela cruz de Cristo. Ela nos restaura a Deus, ao
referencial supremo, ao único que é e nEle todas as
coisas se bastam. NEle satisfazemos nossa fome de glória, de
perfeicao. Nele tudo se encaixa, tudo faz sentido, tudo adquire
significado( nem sempre na hora que a gente quer, mas conhecendo-O,
sabemos que Ele é soberano sobre todas situacoes e confiamos).
Ele é o colo nas desilusoes, o ombro amigo nas dores, o riso
nas criancas, o azul no céu. Nao precisamos tentar ser o que
nao somos, pra suprir as expectativas das pessoas porque nunca
seremos. Nem temos como ser. Porque o que elas
buscam e precisam é de algo maior, do próprio Deus.
Também não precisamos sobrecarregar as pessoas ao nosso
redor, pais, irmaos, maridos, mulheres, líderes, hierarquias
ou personalidades com a nossa projecao irreal. Lógico que os
bons exemplos podem e devem ser apreciados, elogiados e seguidos e os
ruins corrigidos, mas isso com a consciencia de que é preciso
ir além, continuar, manter, perseverar, com os olhos no único
referencial necessário e possível: Nele.
E o
resultado desse andar é a parte mais legal; sobra humildade,
porque entendemos que estamos todos no mesmo barco, iguais uns aos
outros, errando, se espatifando, acertando às vezes na mosca,
às vezes na média. Aprendemos a compaixao pelos que
caem, sofrem e erram porque neste caminho nós também já
estivemos. Chega a graca que é a única coisa suficiente
pra manter a nossa sanidade mental no meio dessa loucura, dessa
tensao entre o céu e a terra, entre a glória e o pó,
entre o erro e o perdao. Nasce o amor que é a aceitacao
incondicional mas não conformista, a ligacao íntima,
afetuosa, inteira, o dar de si mesmo, e espor-se, o morrer pelo
outro. E aos poucos vamos conhecendo a Deus, e amando-O e vivendo-O,
e tudo o mais, de glória em glória, até vermos
face a face a não por espelho. Negar isso é ter o mesmo
sentimento de Satanás, que se achou, se olhou, se bastou, se
exaltou, se rebelou e se ferrou. Ele buscou em si mesmo a fonte da
perfeicao, e não entendeu que era como a lua, que não
brilha sem o sol. Todas as auto-imagens distorcidas, as
auto-suficiencias, as máscaras, as soberbas, os fingimentos,
as inadequacoes, as super e as inferioridades, vem daí.
Conclusao?
Vamos nos permitir ser humanos! Vamos deixar de tentar ser o que não
somos, nem nunca poderemos ser. Vamos deixar de cobrar das pessoas o
que nem nós mesmos conseguimos. Vamos tirar as máscaras,
ser transparentes, deixar nossos cantos escuros serem iluminados,
nosso Dr. Jekyll vir a tona. Não pra que ele domine sobre nós,
mas pra que ele seja exposto e mudado. Não pra justificar os
erros, mas pra assumi-los e ter forca pra mudar, pra não ter
que carregar sozinho o piano, pra receber ajuda. Vamos nos deixar
abencoar por outros, pelos que tem menos do que nós. Vamos ter
a coragem de ser frágeis, vulneráveis. Vamos chorar nos
filmes romanticos, gritar de espanto, admitir quando não
sabemos, ficar arrasados quando fizermos de novo, perdoar. Vamos ser
completamente humanos, essa “estranha dualidade de pó e
glória”, até que nossa perfeicao ilimitada, fim de
toda busca, anseio de todo íntimo, o Senhor Jesus, venha e nos
restaure à sua glória, à sua imagem e
semelhanca. Ele refletido em nós. A volta da perfeicao.
Consumacao. Plenitude.
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