Saturday, October 20, 2012

Aprendendo fazendo

Se tem uma coisa que eu acho fantástica é como Deus me ensina coisas no momento em que estou ensinando outras pessoas. Como geralmente dou aulas e estudos, seja no momento em que estou me preparando ou no momento em que estou falando, vem umas coisas do nada na minha cabeca que nunca pensei antes, e que me deixam intrigada e deslumbrada ao mesmo tempo. Eu sei que nao veio de mim, porque nao cheguei áquela conclusao por nenhum processo lógico, tampouco li aquilo em algum lugar, porque se tivesse lido eu lembraria, pois sao coisas muito marcantes. Creio que vem direto mesmo do céu, tanto pra mim quanto pras pessoas pra quem estou falando. O último exemplo que está mais vivo na minha mente é o da justica de Deus. Na Terra existe justica, mas nao é a justica completa, definitiva, porque afinal nós vemos várias coisas injustas acontecendo, violencia, gente desamparada sendo oprimida, ricos saindo ilesos, e todas essas coisas que nos fazem duvidar da justica e questionar Deus. Mas se formos honestos, podemos admitir que é algo bom que essa Terra nao seja o lugar da execucao da justica definitiva de Deus, porque se o fosse, nós seríamos os primeiros a serem fulminados, por termos consciencia de nossas limitacao e impossibilidade de perfeitamente atender aos requerimentos de toda a justica de Deus, além de nossos contínuos erros e pecados. Se deste lado do céu a justica de Deus fosse agora plenamente executada, Jesus nunca teria vindo e morrido por nossos pecados, e nós nunca seríamos justificados. Porque ainda nao é tempo do cumprimento total da justica, há tempo para arrependimento, perdao e mudanca. E também ocorre injustica, violencia e impunidade. Mas nao para sempre, porque vai chegar o dia da execucao completa da justica de Deus, e daí vai ser completo, tanto a punicao quanto a recompensa.
Pode nao parecer grande coisa esta revelacao, descrita assim dessa maneira, mas me veio na hora em que eu estava falando, e casou tao bem com o contexto, que eu quase parei e fiquei pensando nisso em vez de terminar o estudo, e fiquei pensando "de onde veio isso que nao tava nas minhas notas?". Achei muito legal, porque mostra que o conhecimento e preparacao é válido, mas o que realmente faz a diferenca é o Espírito Santo, simples assim.

Monday, October 8, 2012

Lembro-me a algum tempo atrás de estar trabalhando com um pastor que tinha uma personalidade e um estilo de lideranca bastante forte. Lembro que ele falava que nao se importava de perder algumas pessoas se necessário a fim de continuar „fazendo a obra“. Se nao me engano, ele se referia tanto à pessoas cristas, que, ficando magoadas por alguma atitude, tinham deixado de trabalhar no mesmo ministério com ele, quanto à pessoas que saíam da igreja por alguma razao.
Lembrei-me dele hoje ao ler Mateus 18, onde Jesus fala aos 12( à sua „equipe de lideranca“, aos homens que seriam os pilares da igreja após a ascencao de Cristo aos céus) sobre como eles precisavam se tornar como criancas a fim de entrar no reino dos céus. Ele fala em todo o capítulo, na presenca daquela crianca, e mostra a diferenca entre o reino dos céus e o reino da terra. No reino da Terra, no reino onde há a disputa de poder, a crianca seria facilmente sacrificada e desprezada pelo „alvo maior“ da „obra de Deus“. Mas Jesus afirma categoricamente, que é melhor ser morto, aleijado, ou ferido irremediavelmente do que fazer tropecar a algum dos pequeninos, das criancas, e talvez até mesmo dos „pobres de espírito“ dos quais ele fala no capítulo 5 de Mateus. Ele fala que, fazer tropecar um pequenino, é o mesmo que condenar-se ao inferno(18:9). Ele enfatiza o fato de que os líderes, os doze, nao podem desprezar a nenhum dos pequeninos, porque a lógica do Reino dos céus é salvar o perdido, é deixar 99 e buscar o 1 que se extraviou, porque a vontade do Pai é que nao pereca nenhum só dos pequeninos.
O capítulo 18 continua impossível, falando sobre a necessidade de perdoar, de resolver os relacionamentos, de pedir perdao e perdoar, e da necessidade de toda a comunidade aprender a viver de acordo com estes princípios, que podem ser resumidos na seguinte frase: ninguém é descartável. Nao há uma pessoa que seja descartável, que seja melhor ir embora, da qual possamos abrir mao. Todas as pessoas que Deus traz à comunhao da igreja, sao importantes, insubstituíveis, e é necessário que os líderes e a igreja se empenhem ao máximo para trazê-los, mantê-los, amá-los, ensiná-los. A importancia destes é tal, que Jesus afirma no cap.18:19-20, que dois ou tres reunidos em Seu nome, podem receber seus pedidos de Deus, podem „ligar e desligar“ coisas no céu, atraem a presenca de Jesus. E esse entendimento, de que um, dois, tres, dos mais pequeninos, sao insubstituíveis, únicos e preciosos, pelos quais o pastor deixa 99 ovelhas sas para alcanca-los, mostra a autoridade de cada indivíduo, a necessidade de manter cada um em comunhao com a igreja, de edificá-los, de ajudá-los a crescerem e se tornarem líderes que vao reproduzir esse cuidado e amor com pessoas por onde forem, levando vida, a vontade de Deus, que nenhum destes pequeninos pereca( 18:14)
Fico pensando naquele pastor que nao se preocupava em perder alguns pequeninos a fim de poder „fazer a obra“. Me pergunto que „obra“ é essa que ele queria fazer. De acordo com Mateus 18, nao é o Reino dos céus. E se nao é o Reino dos céus, tem alguma validade? Pra que trabalhar, labutar, desgastando-se, se nao é em prol do Reino dos céus? Se for pra uma igreja, organizacao, pessoa, qual a validade? Se as pessoas nao sao importantes, entao o que é? Que Reino é esse, quais seus interesses, suas prioridades? Creio que nao podemos mudar as prioridades do Reino dos céus, visto que nao somos nós seus inventores e regentes. Nós nao inventamos as regras, só podemos adulterá-las e ignorá-las. E parece que muitos dos líderes da igreja, perderam aquela aula de Jesus, e tem ignorado tantos dos pequeninos, que temo que hajam muitas pedras de moinho invisíveis atadas em muitos pescocos, sem que aqueles que as carreguem deem por isso...