Monday, October 8, 2012

Lembro-me a algum tempo atrás de estar trabalhando com um pastor que tinha uma personalidade e um estilo de lideranca bastante forte. Lembro que ele falava que nao se importava de perder algumas pessoas se necessário a fim de continuar „fazendo a obra“. Se nao me engano, ele se referia tanto à pessoas cristas, que, ficando magoadas por alguma atitude, tinham deixado de trabalhar no mesmo ministério com ele, quanto à pessoas que saíam da igreja por alguma razao.
Lembrei-me dele hoje ao ler Mateus 18, onde Jesus fala aos 12( à sua „equipe de lideranca“, aos homens que seriam os pilares da igreja após a ascencao de Cristo aos céus) sobre como eles precisavam se tornar como criancas a fim de entrar no reino dos céus. Ele fala em todo o capítulo, na presenca daquela crianca, e mostra a diferenca entre o reino dos céus e o reino da terra. No reino da Terra, no reino onde há a disputa de poder, a crianca seria facilmente sacrificada e desprezada pelo „alvo maior“ da „obra de Deus“. Mas Jesus afirma categoricamente, que é melhor ser morto, aleijado, ou ferido irremediavelmente do que fazer tropecar a algum dos pequeninos, das criancas, e talvez até mesmo dos „pobres de espírito“ dos quais ele fala no capítulo 5 de Mateus. Ele fala que, fazer tropecar um pequenino, é o mesmo que condenar-se ao inferno(18:9). Ele enfatiza o fato de que os líderes, os doze, nao podem desprezar a nenhum dos pequeninos, porque a lógica do Reino dos céus é salvar o perdido, é deixar 99 e buscar o 1 que se extraviou, porque a vontade do Pai é que nao pereca nenhum só dos pequeninos.
O capítulo 18 continua impossível, falando sobre a necessidade de perdoar, de resolver os relacionamentos, de pedir perdao e perdoar, e da necessidade de toda a comunidade aprender a viver de acordo com estes princípios, que podem ser resumidos na seguinte frase: ninguém é descartável. Nao há uma pessoa que seja descartável, que seja melhor ir embora, da qual possamos abrir mao. Todas as pessoas que Deus traz à comunhao da igreja, sao importantes, insubstituíveis, e é necessário que os líderes e a igreja se empenhem ao máximo para trazê-los, mantê-los, amá-los, ensiná-los. A importancia destes é tal, que Jesus afirma no cap.18:19-20, que dois ou tres reunidos em Seu nome, podem receber seus pedidos de Deus, podem „ligar e desligar“ coisas no céu, atraem a presenca de Jesus. E esse entendimento, de que um, dois, tres, dos mais pequeninos, sao insubstituíveis, únicos e preciosos, pelos quais o pastor deixa 99 ovelhas sas para alcanca-los, mostra a autoridade de cada indivíduo, a necessidade de manter cada um em comunhao com a igreja, de edificá-los, de ajudá-los a crescerem e se tornarem líderes que vao reproduzir esse cuidado e amor com pessoas por onde forem, levando vida, a vontade de Deus, que nenhum destes pequeninos pereca( 18:14)
Fico pensando naquele pastor que nao se preocupava em perder alguns pequeninos a fim de poder „fazer a obra“. Me pergunto que „obra“ é essa que ele queria fazer. De acordo com Mateus 18, nao é o Reino dos céus. E se nao é o Reino dos céus, tem alguma validade? Pra que trabalhar, labutar, desgastando-se, se nao é em prol do Reino dos céus? Se for pra uma igreja, organizacao, pessoa, qual a validade? Se as pessoas nao sao importantes, entao o que é? Que Reino é esse, quais seus interesses, suas prioridades? Creio que nao podemos mudar as prioridades do Reino dos céus, visto que nao somos nós seus inventores e regentes. Nós nao inventamos as regras, só podemos adulterá-las e ignorá-las. E parece que muitos dos líderes da igreja, perderam aquela aula de Jesus, e tem ignorado tantos dos pequeninos, que temo que hajam muitas pedras de moinho invisíveis atadas em muitos pescocos, sem que aqueles que as carreguem deem por isso...


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