Lembro-me a algum
tempo atrás de estar trabalhando com um pastor que tinha uma
personalidade e um estilo de lideranca bastante forte. Lembro que ele
falava que nao se importava de perder algumas pessoas se necessário
a fim de continuar „fazendo a obra“. Se nao me engano, ele se
referia tanto à pessoas cristas, que, ficando magoadas por
alguma atitude, tinham deixado de trabalhar no mesmo ministério
com ele, quanto à pessoas que saíam da igreja por
alguma razao.
Lembrei-me dele hoje ao
ler Mateus 18, onde Jesus fala aos 12( à sua „equipe de
lideranca“, aos homens que seriam os pilares da igreja após
a ascencao de Cristo aos céus) sobre como eles precisavam se
tornar como criancas a fim de entrar no reino dos céus. Ele
fala em todo o capítulo, na presenca daquela crianca, e mostra
a diferenca entre o reino dos céus e o reino da terra. No
reino da Terra, no reino onde há a disputa de poder, a crianca
seria facilmente sacrificada e desprezada pelo „alvo maior“ da
„obra de Deus“. Mas Jesus afirma categoricamente, que é
melhor ser morto, aleijado, ou ferido irremediavelmente do que fazer
tropecar a algum dos pequeninos, das criancas, e talvez até
mesmo dos „pobres de espírito“ dos quais ele fala no
capítulo 5 de Mateus. Ele fala que, fazer tropecar um
pequenino, é o mesmo que condenar-se ao inferno(18:9). Ele
enfatiza o fato de que os líderes, os doze, nao podem
desprezar a nenhum dos pequeninos, porque a lógica do Reino
dos céus é salvar o perdido, é deixar 99 e
buscar o 1 que se extraviou, porque a vontade do Pai é que nao
pereca nenhum só dos pequeninos.
O capítulo 18
continua impossível, falando sobre a necessidade de perdoar,
de resolver os relacionamentos, de pedir perdao e perdoar, e da
necessidade de toda a comunidade aprender a viver de acordo com estes
princípios, que podem ser resumidos na seguinte frase: ninguém
é descartável. Nao há uma pessoa que seja
descartável, que seja melhor ir embora, da qual possamos abrir
mao. Todas as pessoas que Deus traz à comunhao da igreja, sao
importantes, insubstituíveis, e é necessário que
os líderes e a igreja se empenhem ao máximo para
trazê-los, mantê-los, amá-los, ensiná-los.
A importancia destes é tal, que Jesus afirma no cap.18:19-20,
que dois ou tres reunidos em Seu nome, podem receber seus pedidos de
Deus, podem „ligar e desligar“ coisas no céu, atraem a
presenca de Jesus. E esse entendimento, de que um, dois, tres, dos
mais pequeninos, sao insubstituíveis, únicos e
preciosos, pelos quais o pastor deixa 99 ovelhas sas para
alcanca-los, mostra a autoridade de cada indivíduo, a
necessidade de manter cada um em comunhao com a igreja, de
edificá-los, de ajudá-los a crescerem e se tornarem
líderes que vao reproduzir esse cuidado e amor com pessoas por
onde forem, levando vida, a vontade de Deus, que nenhum destes
pequeninos pereca( 18:14)
Fico pensando naquele
pastor que nao se preocupava em perder alguns pequeninos a fim de
poder „fazer a obra“. Me pergunto que „obra“ é essa
que ele queria fazer. De acordo com Mateus 18, nao é o Reino
dos céus. E se nao é o Reino dos céus, tem
alguma validade? Pra que trabalhar, labutar, desgastando-se, se nao é
em prol do Reino dos céus? Se for pra uma igreja, organizacao,
pessoa, qual a validade? Se as pessoas nao sao importantes, entao o
que é? Que Reino é esse, quais seus interesses, suas
prioridades? Creio que nao podemos mudar as prioridades do Reino dos
céus, visto que nao somos nós seus inventores e
regentes. Nós nao inventamos as regras, só podemos
adulterá-las e ignorá-las. E parece que muitos dos
líderes da igreja, perderam aquela aula de Jesus, e tem
ignorado tantos dos pequeninos, que temo que hajam muitas pedras de
moinho invisíveis atadas em muitos pescocos, sem que aqueles
que as carreguem deem por isso...

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